Título: VOX
#1 //
Autor(a): Christina Dalcher //
Editora: Arqueiro //
Páginas: 320 //
Gênero: ficção, distopia
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SINOPSE: Uma distopia atual, próxima dos dias de hoje, sobre empoderamento e luta feminina.
O SILÊNCIO PODE SER ENSURDECEDOR #100PALAVRAS
O governo decreta que as mulheres só podem falar 100 palavras por dia. A Dra. Jean McClellan está em negação. Ela não acredita que isso esteja acontecendo de verdade.
Esse é só o começo...
Em pouco tempo, as mulheres também são impedidas de trabalhar e os professores não ensinam mais as meninas a ler e escrever. Antes, cada pessoa falava em média 16 mil palavras por dia, mas agora as mulheres só têm 100 palavras para se fazer ouvir.
...mas não é o fim.
Lutando por si mesma, sua filha e todas as mulheres silenciadas, Jean vai reivindicar sua voz.
Em VOX temos um mundo muito perturbador e muito próximo ao nosso, em que
as mulheres só podem falar 100 palavras por dia. Um contador preso ao braço das mulheres feito algemas as pune caso falem mais do que isso por dia. Essa situação não se aplica aos homens. Eles não têm que se preocupar com a quantidade de palavras ditas por dia.
"Em telecomunicações, VOX (acrônimo para o inglês: Voice Operated Switch ou Voice Operated eXchange) é um interruptor que opera quando é detectado som acima de um certo nivel." – Wikipedia
Logo no início do livro, conhecemos a dra. Jean e sua família. Vemos situações de seu cotidiano nesse mundo perturbador e absurdo que vivem, assim como vemos o passado e como todo esse silenciamento das mulheres aconteceu. Sua amiga feminista da faculdade, Jackie, previu que isso aconteceria, ela escreveu vários livros sobre o assunto. Jean nunca deu muito ouvido a ela, achava um exagero, coisa de mulher histérica.
Mas quando um presidente não muito preparado para o cargo tomou o poder, as coisas começaram a mudar.
Vemos o desespero dessa situação quando Sonia, sua filha, tem pesadelo durante a noite e começa a gastar suas palavras, e Jean e Patrick, o marido, correm para o quarto pra acalmá-la e impedir que use as palavras do dia e receber choque por isso. Porque se você ultrapassar as 100 palavras você recebe choque através do contador no braço.
Vemos como Jean se sente completamente inútil, pois ela só tem mais uma palavra no dia, e ela não pode acalmar a filha e nem os filhos que estão assustados com toda situação.
"As atrizes têm uma autorização especial quando estão trabalhando. Suas falas, claro, são escritas por homem."
Mas quando o irmão do presidente sofre um acidente que traz sequelas que afetam sua fala, a dra. Jean é procurada pra voltar a trabalhar (e poder falar livremente), já que
ela é a principal cientista na área que pode ajudá-lo.
E é muito difícil pra Jean não odiar os homens de sua vida, seu marido e filhos. Afinal, não foram eles que criaram a situação que ela está, e isso é traduzido claramente no nosso mundo, porque por mais que os homens ao nosso redor não estão contribuindo diretamente com nossa opressão,
será que estão tentando impedir? Muito pelo contrário, eles estão tão a vontade e acostumados com isso, que raramente se importam com o que temos que enfrentar todo santo dia. E é doloroso ler a cena de quando ela tem a permissão de falar e pode reclamar de toda a situação, e seu próprio marido diz que era melhor quando ela não podia falar.
Fiquei super ansiosa pra ler esse livro, porque a premissa é muito interessante e atual, mas algumas coisas me incomodaram durante a leitura,
faltou aprofundar melhor os personagens. Por exemplo, quando uma pessoa do passado de Jean reaparece na vida dela, pareceu meio forçado essa aproximação deles. Mas aquela empolgação passou na metade do livro.
Apesar disso, é história muito importante, ótimo pra quem leu O Conto da Aia (
resenha aqui), onde vemos o fundamentalismo de extrema direita reinar. Um livro que me tocou profundamente, que serve pra nos "acordar" e não nos deixarmos ser silenciada. Ele mostra o tempo todo como Jean pensa que poderia ter evitado tudo se tivesse levado a amiga que ia nos protestos e votava consciente antes, e que deve ser lido não apenas por mulheres, mas também os homens.
É muito fácil e cômodo estar na posição dos homens, onde em as situações como as desse livro, não são afetados. Demanda força e coragem pra ser agentes de mudança, e espero que esse livro inspire as pessoas a terem essa coragem de não calar e não se deixar calar.
E aí, já leram ou ficaram com vontade de ler? Então aqui está a sua chance de ler esse livro!
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